quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

O prazer e a aflição de ser balzaquiana


Há algum tempo atrás, nas aulas de Literatura Francesa, fui apresentada ao grande escritor francês do século XIX Honoré de Balzac, autor do livro " A mulher de 30 anos", sua obra mais famosa, porém a mais fraca em termos de desenvolvimento narrativo, com personagens frágeis, e personalidades contraditórias, bastante distante da sua essência de escritor. Foi por conta dessa obra que surgiu a expressão "mulheres balzaquianas", embora poucos saibam da sua procedência.

Foi em "Mulheres de 30 anos", que pela primeira vez a mulher madura teve destaque na literatura. O autor valorizava sua beleza, experiências, pensamentos, desejos, angústias, reivindicava o direito dela ser feliz, e discutia as mazelas de um casamento fracassado, no qual a mulher estava destinada a carregar a cruz das suas obrigações sociais e legais, era prisioneira de seus deveres. Isso fez com que sua obra fosse motivo de escândalo, devido as convenções sociais da época, mas por outro lado, também conseguiu conquistar a comoção do público.

Antes de ler "A mulher de 30 anos", assim como muitos, também não conhecia a origem do termo balzaquiano, mas tinha muito receio de quando chegasse a ser uma, devido ao tom pejorativo que impregnava a palavra. Em outros tempos, ser balzaquiana significava ser solteirona, ou então casada, não mais dona de si, rainha e escrava do lar. Contudo, a expressão hoje parece ter adquirido outra conotação, pois uma mulher de 30 anos, pelo menos em algumas sociedades, já são mais independentes, casam-se tarde tarde, por opção, separam-se quando o casamento não vai bem, transam quando têm vontade, não só por amor, saem sozinhas sem se preocupar com a censura da vizinhança, são mães solteiras, e reconhecem que ainda são jovens, e com isso também podem ser atraentes. Como diz o escritor,
"uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis para um rapaz... A mulher de trinta anos pode se fazer jovem, desempenhar todos os papéis, ser pudica e até embelezar-se com a desgraça".

Para muitas mulheres, assim como eu, custa aceitar a idéia de que já são balzaquianas, principalmente para nós brasileiras, conhecidas pela vaidade. Continuamos a vestir calças jeans, usar cabelos compridos, biquinis em lugar de maiôs, bermudas, tudo que possa nos deixar mais jovens, mas sem os exageros da adolescência. Evitamos roupas que nos deixam muito senhoras, calças sociais, blazers, até aventais, mesmo dentro de casa, nos informamos sobre os últimos lançamentos em termos de cosméticos e cirurgias plásticas para quando as marcas do tempo começarem a denunciar a nossa idade. Tudo isso pode parecer futilidade, mas sem dúvida é uma forma de elevar a auto-estima feminina, visto que tudo parece girar em torno dela, seja felicidade pessoal, o sucesso profissional, os relacionamentos amorosos, os projetos de vida, a criatividade, e até a vida sexual.

Como nem tudo é um mar de rosas, a partir dos 35 anos começaremos a sentir o lado menos agradável da mulher balzaquiana: diminuição dos hormônios, mudança de pele, quedas de cabelo, dificuldade em conceber um filho, a perda do frescor da juventude. Mas que importa, se ainda temos a Melhor Idade nos esperando mais a frente?




23 comentários:

niquinha disse...

Amiga vc está de parabens..
Bjs com carinho de Ge..

Sonia disse...

Parabéns! Muito interessante e bastante informativo, pois não sabia porque chamavam mulheres maduras de balzaquinas. Me identifiquei bastante com o texto... tb sou uma mulherer balzaquiana!!!

Vitor M disse...

Parabéns, mas quero ver mais posts com a mesma qualidade!
Não te esqueças de mim em http://vistadosuburbio.blogspot.com!

Cris_Tininha disse...

Parabéns pelo blog!
Realmente interessante como cada mulher sabe ser um pouco balzaquiana quando quer, a qualquer idade, sendo provocante ou fazendo-se ingênua, madura ou mesmo infantil.
Aliás, ninguém melhor para tratar mulheres balzaquianas que você, hein?
*risos*
Beijos

nilza helena disse...

Amiga esta lindo sua pagina e ser balzaquiana e ter muita bagagemmmmmmmmmmmm para compartilharrrrrrrrrrrr beijossssssssssssss
mymy

marlene disse...

oi SANDRA, PARABENS
como te disse, foi feito pra mim, pq eu adoro internet, conversar, trocar ideias de artesanato
que delicia
beijos por essa iniciativa, pois foi uma gde homenagem a nós, BALZAQUEANAS

marlene disse...

Sandra, boa noite querida
eu tenho uma revista, que faz comentários sobre mulheres de mais de 50 anos, como faço pra passar pra vc
me mande um e mail, falando
beijos

Marco disse...

Otimo texto

Luis Miguel Carvalho disse...

Diz-se da mulher de aproximadamente 30 anos. O termo refere-se à obra do escritor francês Honoré de Balzac, que escreveu "A mulher de 30 anos". Antes um pouco pejorativo, na época em que a mulher de 30 anos já era considerada "coroa", hoje um rasgado elogio àquelas, que, aos 30, estão na flor da idade, atraentes não só por sua beleza, mas também por se encontrarem na plenitude de sua feminilidade, das conquistas profissionais, amorosas, familiares, financeiras, sociais, etc! Enfim, o apogeu de si própria, o supra-sumo da feminilidade, o equinócio hormonal entre beleza, vivência e independência.
E diz-se por aí, que a brasileira de 30, substitui fácil, fácil duas de 15... pelo menos é o que diz a maioria...
Há quem empregue a palavra balzaquiana de forma pejorativa e até negativa. Mas, na realidade, é com 30 anos que as mulheres chegam ao seu ápice: mais maduras, realistas e vividas, elas esbanjam sensualidade e realização.
Agora a mulher está livre para amar a quem realmente demonstre merecedor de seu amor, está livre do estigma do peso da idade e, tudo isso se deve em parte a um nome, Honoré de Balzac

Bonito Blog

Miguel

Gauche disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Gauche disse...

Já ouviste falar sobre "Balzaquianas por natureza"? [rs]

Abraços!

O Lado de Lá disse...

Procurando o significado do expressão "mulher balzaquiana" achei seu blog! Nossa, adorei! Leitura fácil, gostosa e dinânmica!

Abraço,
Larissa

Eloisia disse...

Oi Sandra, tudo bem? Li o comentário de Luis Miguel Carvalho e me enquadro mais no relato dele. Eu já fui uma mulher de trinta(s) e foi uma fase maravilhosa da minha vida. Tudo fica definido, claro, fácil. Literalmente temos o controle sobre nós mesmas. Hoje sou "loba" (40 anos) é o ápice da mulher. Mas como aprendi com minha avó "podemos ter todas as idades pelas quais já passamos", aplico o aprendizado todos os dias da minha vida. Afinal posso ter os arroubos dos 18 e a sexualidade e imaginação dos 30(s). Beijos.....

Angélica Moura disse...

Olá Sandra,
Sou jornalista e estou escrevendo uma matéria sobre mulheres balzaquianas. Gostei muito do que você escreveu neste blog, e gostaria de saber se posso usar seu depoimento na minha matéria. aguardo contato. meu email é angelicamoura@hotmail.com.
Aguardo seu retorno.

Sandra Castro disse...

Cara Angélica Moura,
Tentei enviar-lhe um e-mail, mas parece que retornou.

Quanto à publicação das minhas reflexões sobre a mulher balzaquiana atual, fique à vontade. Gostaria apenas de ver a matéria depois, pois o assunto me interessa e quem sabe não me dá inspiração para o próximo post?

Um grande abraço,

Sandra

Lisa Serra disse...

Escreves muito bem, eu amo as obras de Balzac, atualmente estou lendo Eugenie Grandet.
Beijos...
Lisa / Belem-PA

vanessa disse...

Uau...muito obrigada!!!
Vou completar 30 na próxima semana...então dá pra imaginar como estou né?
A única coisa que me falta é um grande AMOR!!!
Mas continuo na luta!!!

Super bj...
Vanessa

spa_re disse...

Rs... Pode-se observar a qualidade do seu texto pelo tempo q ele está na net. Tb adorei seu texto e fiz questão de deixar aqui os meus parabéns! Elogios são sempre muito bem-vindos né...rs Vou dar ainda uma olhada em outros escritos seus...grande abraço! Renata.
caso queira contato, spa_re@hotmail.com
ah! sou tb uma balzaquiana.rs

Gabi disse...

Procurei a expressão Balzaquiana e achei seu Blog.. Parabens pela leitura gostosa e satisfativa quanto a mulheres maduras!
Obrigada!

Chrys Jasmym disse...

Nossa!! Eu sou balzaquiana e nem sabia, rsrs... Então, me encaixo no perfil da balzaquiana que separou-se porque quer ser feliz, não estava satisfeita com um casamento mais ou menos e achava que a vida poderia (e pode) ter mais a me oferecer... Não vejo o lado pejorativo da palavra, pois sendo mulher com mais de 30 anos percebo que algumas coisas são menos urgentes, outras possíveis, mas nem todas necessárias. Assim, não sofro mais dos males típicos das mais jovens "Oh vida, o azar, será que ele me ama ou nunca vai me amar?". Vivo um dia de cada vez e cada coisa a seu tempo buscando sempre aproveitar o que o momento me proporcionar, desde que seja para meu bem estar. Excelente texto! Balzaquiana, sim! E com muito orgulho! Bjos

Julie Rossi disse...

A alguns anos me chamavam de balzaca...nunca quisa saber o por quê, agora sei..heheheh...Commito orgulho!

Ane Melo disse...

Vivi todas as emoções dessa idade, apesar de ter virado a página, meu jeito ainda permanece balzaquiano, rsrs. Parabéns pelo texto! Ane

Joselina de Andrade Silva disse...

Olá Sandra
Gostei muito deste artigo, poderia publicar no Facebook? Como faço? Com certeza muitas mulheres balzakianas vão gostar! nem sabia que mulheres de 30 chamavam de balzakiana!!! Grata pelo aprendizado. Bjks